{"id":855,"date":"2007-03-02T03:38:46","date_gmt":"2007-03-02T03:38:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ticmais.pt\/index.php\/2007\/03\/02\/ha-que-atacar-as-verdadeiras-causas\/"},"modified":"2020-02-24T02:25:03","modified_gmt":"2020-02-24T01:25:03","slug":"ha-que-atacar-as-verdadeiras-causas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ticmais.pt\/?p=855","title":{"rendered":"H\u00e1 que atacar as verdadeiras causas"},"content":{"rendered":"<table style=\"width: 100%;\" border=\"0\" cellspacing=\"5\" cellpadding=\"5\">\n<tbody>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"160\"><img decoding=\"async\" src=\"\/\/www.ticmais.pt\/ticmais\/imagens\/Hqueatacarasverdadeirascausas.png\" alt=\"\" \/><\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Aten\u00e7\u00e3o, muita aten\u00e7\u00e3o, talvez muitos n\u00e3o se d\u00eaem conta, mas estamos a assistir a um novo pico de sa\u00eddas de Portugueses (muitos com forma\u00e7\u00e3o superior) para o estrangeiro.<br \/>\nCoruche espelha bem essa situa\u00e7\u00e3o. Casos h\u00e1 de pessoas que emigraram enquanto mais jovens e que julgavam j\u00e1 n\u00e3o ter necessidade de o voltar a fazer, mas agora v\u00eaem-se for\u00e7ados a faz\u00ea-lo novamente.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ticmais.pt\/?p=1234\"><img decoding=\"async\" src=\"\/\/www.ticmais.pt\/ticmais\/imagens\/ticmaislogomini.png\" alt=\"\" \/><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><!--more--><\/p>\n<table style=\"width: 100%;\" border=\"0\" cellspacing=\"5\" cellpadding=\"5\">\n<tbody>\n<tr>\n<td valign=\"top\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Tenho 51 anos de idade, 33 dos quais vividos com uma participa\u00e7\u00e3o c\u00edvica muito intensa, p\u00f3s 25 de Abril de 1974. Fa\u00e7o este enquadramento para dizer ao leitor que come\u00e7o a duvidar seriamente de que a minha gera\u00e7\u00e3o (que coincide com a de muitos pol\u00edticos no activo) consiga cumprir os objectivos que se imp\u00f5em a um efectivo desenvolvimento sustentado do pa\u00eds, se n\u00e3o se adoptarem estrat\u00e9gias de acordo com os novos desafios e oportunidades, sustentadas numa clara vis\u00e3o de futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em resultado do Conselho Europeu de Lisboa de 2000, a Uni\u00e3o Europeia (ent\u00e3o dos 15) definiu, como objectivo estrat\u00e9gico para 2010, \u00abtornar-se a economia baseada no conhecimento mais din\u00e2mica e competitiva do mundo, capaz de garantir um crescimento econ\u00f3mico sustent\u00e1vel, com mais e melhores empregos, e com maior coes\u00e3o social e respeito pelo ambiente\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Decorridos 7 anos, o balan\u00e7o para Portugal n\u00e3o \u00e9 muito animador.<br \/>\nEnquanto jovem, vi muitos amigos meus terem necessidade de emigrar na procura de melhores oportunidades que o pa\u00eds n\u00e3o lhes conseguiu dar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o decorrer dos anos, houve pequenos per\u00edodos em que quase me convenci de que este fen\u00f3meno estava a abrandar (talvez pelo efeito da chegada dos fundos comunit\u00e1rios), mas na realidade n\u00e3o abrandou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A procura dos destinos tradicionais \u2013 Fran\u00e7a, Luxemburgo, Su\u00ed\u00e7a e seus vizinhos continua a verificar-se, mas n\u00e3o s\u00f3. Actualmente, h\u00e1 milhares de portugueses na agricultura em Espanha, a criar perus em Inglaterra, galinhas na Irlanda e uma nova vaga a preferir Angola. H\u00e1 tamb\u00e9m o elevado n\u00famero de trabalhadores que semanalmente se deslocam em carrinhas para trabalhar na constru\u00e7\u00e3o civil em Espanha e que n\u00e3o contam para as estat\u00edsticas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo um estudo recente do Instituto Nacional de Estat\u00edstica, a lista dos pa\u00edses procurados pelos portugueses \u00e9 liderada pela Espanha, seguindo-se o Reino Unido e Angola.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Houve momentos em quase fui levado a acreditar que os que partiam eram em grande parte os que tinham poucas habilita\u00e7\u00f5es (maioritariamente, m\u00e3o-de-obra pouco qualificada).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas afinal muitos dos que continuam a partir t\u00eam cursos superiores e outros mesmo procuram l\u00e1 o tal diploma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dos jovens portugueses que se formam em algumas das melhores universidades dos Estados Unidos da Am\u00e9rica, estima-se que regressam ao pa\u00eds, ap\u00f3s a conclus\u00e3o do curso, apenas entre 10 e 20%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo um relat\u00f3rio do Banco Mundial (BM), um quinto dos portugueses com ensino superior n\u00e3o trabalha no pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portugal \u00e9 mesmo o pa\u00eds europeu de m\u00e9dia\/grande dimens\u00e3o mais afectado pela sa\u00edda de licenciados e quadros t\u00e9cnicos. Na lista dos estados com mais de cinco milh\u00f5es de habitantes, Portugal \u00e9 o 21\u00ba com a mais elevada percentagem de licenciados a residir fora do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conv\u00e9m salientar que, se Portugal est\u00e1 a perder licenciados e quadros qualificados para pa\u00edses estrangeiros, concelhos como o de Coruche perdem ainda, ao n\u00edvel do pa\u00eds, na \u201cluta\u201d interior\/litoral. Em muitos casos, perde popula\u00e7\u00e3o jovem, ainda enquanto estudante, logo ap\u00f3s o 9\u00ba ano, por uma manifesta aus\u00eancia de percursos escolares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta situa\u00e7\u00e3o tender\u00e1 a agravar ainda mais a estrutura demogr\u00e1fica envelhecida do Concelho, com efeitos perversos no curto e m\u00e9dio prazo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para as regi\u00f5es que sofrem duplamente destes efeitos negativos, o desafio \u00e9 enorme, pois sem \u201cestancar\u201d a sa\u00edda das pessoas, dos quadros qualificados, \u00e9 dif\u00edcil contrariar esta realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #990000;\">H\u00e1 que inverter esta situa\u00e7\u00e3o, sob pena de, mais tarde, serem tamb\u00e9m os pais a ir ao encontro dos filhos<\/span><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o necess\u00e1rias medidas criativas que favore\u00e7am a fixa\u00e7\u00e3o de casais jovens no concelho, ao n\u00edvel da interven\u00e7\u00e3o social, da habita\u00e7\u00e3o e do emprego qualificado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As assimetrias de desenvolvimento interior\/litoral e Portugal\/m\u00e9dia dos pa\u00edses mais desenvolvidos s\u00f3 poder\u00e3o ser combatidas com \u00eaxito se os investimentos estrat\u00e9gicos, designadamente os do Quadro de Refer\u00eancia Estrat\u00e9gico Nacional (QREN 2007-2013), forem efectivamente aplicados de forma mais selectiva do que at\u00e9 aqui tem acontecido&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A estrat\u00e9gia decidida em Lisboa em 2000 continua a ser fundamentalmente relevante. Contudo, importa rectificar o que correu mal e desenvolver as pol\u00edticas e os projectos estrat\u00e9gicos mais conducentes ao cumprimento dos seus objectivos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m a n\u00edvel local e regional nem sempre os fundos da Uni\u00e3o Europeia e Nacionais t\u00eam servido para construir as infra-estruturas que permitiriam desenvolver as regi\u00f5es mais atrasadas. H\u00e1 que alterar esta situa\u00e7\u00e3o e canalizar parte significativa dos investimentos para projectos verdadeiramente indutores dum efectivo desenvolvimento sustentado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para tal, \u00e9 preciso que se assuma, claramente, como grande des\u00edgnio estrat\u00e9gico, a qualifica\u00e7\u00e3o dos seus cidad\u00e3os, valorizando o conhecimento, a cidadania, a inova\u00e7\u00e3o e o empreendedorismo, bem como a promo\u00e7\u00e3o de n\u00edveis elevados e sustentados de desenvolvimento econ\u00f3mico, coes\u00e3o social e qualidade de vida.<\/p>\n<p><strong>NOTA:<br \/>\n<span style=\"color: #990000;\">Sem investimentos adequados, sem pessoas cada vez mais qualificadas, sem massa cr\u00edtica que nos diferentes dom\u00ednios de participa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica, social, cultural e pol\u00edtica possam fazer a diferen\u00e7a, n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel obter os contributos para as mudan\u00e7as qualitativas que se desejam.<\/span><\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" src=\"\/\/www.ticmais.pt\/ticmais\/imagens\/Coruche,Antonio Pinheiro da Costa,TicMAIS,Cantanhede,Cidadania, Movimento.png\" alt=\"\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><a href=\"https:\/\/www.ticmais.pt\/\"><span style=\"color: #800000;\"><img decoding=\"async\" src=\"\/\/www.ticmais.pt\/ticmais\/imagens\/Coruche, TicMAIS, Antonio Pinheiro da Costa, Movimento de Cidadania, Cantanhede.png\" alt=\"\" \/><\/span><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aten\u00e7\u00e3o, muita aten\u00e7\u00e3o, talvez muitos n\u00e3o se d\u00eaem conta, mas estamos a assistir a um novo pico de sa\u00eddas de Portugueses (muitos com forma\u00e7\u00e3o superior) para o estrangeiro. 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