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ticMAIS – a sociedade do conhecimento e os movimentos de cidadania

28 de Outubro, 2007
O ticMAIS – Movimento de Cidadania E-Coruche – demonstra bem o papel que os movimentos cívicos podem desempenhar no desenvolvimento da Sociedade do Conhecimento. Para responder à fraca dinâmica das TIC na sua região, um grupo de cidadãos do concelho de Coruche decidiu “arregaçar as mangas” e avançar com um movimento em prol da valorização do Sociedade do Conhecimento no concelho.

Em consequência desses objectivos e por constatarmos que, no concelho de Coruche, ainda estamos muito longe de contribuir para os atingir, dado que aida temos uma reduzida sensibilização e adopção de TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação), insuficiência de percursos escolares e saídas profissionais nestas áreas, reduzida formação de quadros verdadeiramente qualificados, bem como um fraco investimento ao nível de infra-estruturas nestas tecnologias, quer pelo sector público, quer pelo sector privado, um grupo de cidadãos do concelho de Coruche, consciente desta realidade e do muito que é preciso fazer, decidiu avançar com o Movimento de Cidadania “Movimento.e-Coruche”.

É seu objectivo constituir-se como associação sem fins lucrativos, de carácter cívico, e pretendem, por essa via, participar na valorização do concelho no âmbito da Sociedade do Conhecimento/da Informação e do Ambiente (aqui com especial destaque para a promoção e utilização de novas tecnologias com impacto benéfico para o ambiente).
Esta participação cívica apoiar-se-á, em grande medida, em modos de comunicação em rede e no seu website e, com um forte recurso às Tecnologias de Informação e Comunicação, será, acreditamos, pelas potencialidades que estas acrescentam, o meio de funcionamento associativo mais adequado, gerador de melhores resultados ao nível da interacção entre os seus membros e do número de associados que poderá mobilizar e manter activos. Permitirá ainda, estamos certos, uma melhor articulação entre os seus membros e a comunidade que pretende ajudar.
Resultado evidente disso mesmo é já a dinâmica e a projecção que o seu site, ainda recém-nascido, já gerou em tão curto espaço de tempo. É hoje perfeitamente evidente que grande parte da produtividade das TIC resulta do acesso a recursos em rede, do comércio electrónico e do fornecimento de serviços públicos on-line.
Se analisarmos o que se passa ao nível do e-Government Local, verificamos que o uso da Internet em muitas autarquias ainda se restringe, em grande parte, a uma “modernização conservadora” e muitas das medidas já tomadas ainda são direccionadas para o seu funcionamento interno, não abertas à comunidade, com um receio evidente de que se alterem as relações de poder. São ainda bastante incipientes as iniciativas que permitem uma efectiva intervenção dos cidadãos na sua gestão e é bastante baixo o nível de interactividade.
Há muitas autarquias que já disponibilizam informação (nem sempre actual) e permitem descarregar formulários dos serviços via Internet, mas os cidadãos acabam por ter de se dirigir fisicamente aos serviços para finalizar os assuntos e não é possível interagir com os seus responsáveis. Convém referir que dispor de formulários é das coisas mais simples que existem on-line. As TIC estão a assumir-se cada vez mais como um veículo privilegiado para a promoção e a participação efectiva das comunidades locais na discussão e reflexão dos assuntos sociais da sua região. Estamos, de facto, perante uma nova realidade, a possibilidade de, com a sua ajuda, as pessoas, os movimentos cívicos, no fundo as comunidades em geral poderem abrir um novo canal de reflexão e acção, voltados para os problemas sociais em que convivem (e mesmo a uma escala mais global) e que não mais são resolvidos com efectividade pelo diversos poderes.
O nível de exigência dos cidadãos reclama, pois, uma resposta mais eficiente e célere, apenas possível com o recurso às mais recentes tecnologias. Hoje, o desafio da Administração Local coloca-se, assim, a três níveis:
. Por um lado, a optimização dos processos, ferramentas e competências dos seus funcionários, que permitam uma optimização dos recursos e uma maior eficiência dos serviços;
. Por outro lado, a utilização de novas tecnologias que facilitem, estimulem o contacto do cidadão e permitam a todos e a cada um gerir melhor o seu próprio tempo;
. Por outro lado ainda, na ajuda em parceria (com todos que tenham responsabilidades no combate à info-exclusão), no processo de formação e qualificação da sua comunidade em geral.
As autarquias modernas devem, pois, fomentar o contacto com as pessoas, disponibilizar serviços de alta qualidade e demonstrar visão e liderança às comunidades locais. A sociedade civil, por outro lado, pode e deve agir de forma mais efectiva e, através deste tipo de “democracia electrónica”, como o nosso Movimento o está a fazer, certamente promoverá uma mudança na comunidade e transformará os cidadãos locais em actores sociais mais qualificados, mais fortes e participantes.

Notícia inicial publicada no site”i-GOV” de 2007-01-31
 
 

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